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Você pensa que já viveu tudo na vida; aí você se torna avó e percebe que a cada dia vive uma experiência nova; parece que a vida recomeçou.

Ser avó, é ser menina com cabelos brancos; ser avó, é ficar muito contente e orgulhosa, mais do que os netos, a cada conquista deles.

Pegando o embalo dos Posts – Desafios da terceira idade – Parte I e Parte II – já nos leva a pensar em avós e netos.

Mesmo não tendo palavras doces o suficiente para expressar os sentimentos em relação aos netos, o que consegui colocar aqui não passa de uma pálida idéia, apenas.

Com um clik, hoje tudo procuramos e encontramos na Internet, ou melhor, quase tudo.

Eu mesma me valho da Internet para encontrar imagens, figuras, para enriquecer o que escrevo. Imagens suas, de amigos, muito está aí nesse arquivo que parece infinito.

Os sentimentos, por outro lado, não geram imagens que possam ser publicadas. Coisas só suas, inconfessáveis até, não estão lá, estão cá dentro de você.

A primeira vez que fui chamada de avó, equivale a primeira vez que fui chamada de mãe. É como se fosse uma segunda chance.

Faz poucos anos, porém essa palavrinha fica ressoando sem cessar até hoje nos meus ouvidos: Aaaavóóóóó´.

Minha neta, assim cantarolava, especialmente todas as manhãs e na primeira vez que estava me vendo naquele dia: Aaaavóóóóó´.

Fazia isso, seguido e repetidas vezes.

Meu coração transbordava de alegria e essa lembrança ficará para sempre gravada em minha alma.

Desejo ouvir outra vez, seguida, repetida e infinitamente.

Uma coisa que nos envelhece, física e interiormente, é a distância que separa, é a saudade que teima em estar presente, quando os netos estão ausentes.

Precisamos pedir desculpas para algumas noras, porque nós sogras, somos um mal necessário. Assim também ocorre com algumas mães, pais, irmãos, tios, etc. Não dá para escapar dessa corrente.

Esse parentesco vem de presente (presente de grego?), não há outra escolha que se possa fazer. Dá para lembrar, se quiser, que esse parentesco nasceu de um grande amor, inicialmente entre os avós. Então, uma coisa depende da outra, queira ou não.

E os netos? Como não os amar, se são fruto, do fruto desse amor original.

As noras um dia serão as sogras de amanhã. Parece tão looooonge, mas não se iluda, esse dia chegará e você sempre pensará: “nossa, ainda é tão cedo!!”

Quem tem algum problema com isso, relaxe e agradeça, se puder, por aquilo que veio antes de você. Ainda que não seja capaz neste momento de mensurar o quanto de amor foi colocado nessa tarefa, nessa experiência de ser mãe, de ser pai.

Por vezes impingimos sofrimentos, decepções aos filhos e também a outras pessoas, às vezes conscientes, outras inconscientes, sem intenção, embora isso até perca a importância, pois a dor não quer saber nada disso de motivo, intenção, ou o que for, ela apenas dói, e dói.

Quero ser a melhor mãe e a melhor avó do mundo.

Quem pode dizer como é isso?

Quem tem esses requisitos nessa e em todas as etapas de nossa vida?

É mais fácil sabermos como é a pior mãe, a pior avó do mundo. Já ouvimos falar, já presenciamos e já assistimos no noticiário. Dá para termos noção de como não deveria ser.

E da melhor? me diga você se puder, porque eu neste momento, não consigo.

Quero ser a avó da qual minha neta e meu neto tenham muitas histórias para contar. Quero cometer erros que os faça rir; quero ser fonte de inspiração; quero rasgar um sorriso nos seus rostos quando pensarem na avó; quero deixar lembranças venturosas, assim como eu as tenho das minhas avós; quero que eles desejem, sempre, voltar à casa da avó e ao colo da avó.

Enfim, quero caprichar cada dia mais nesse arquivo de memórias.

Sonhar não custa nada…

Quando chegar SUA VEZ você me dará razão e muito mais. Aguarde!

 

Por Dalva Helvig Nikolak